no meu país
Atiram frases longas com palavras que quase ninguém entende e fingem manter-se erectos quando a real posição é de quatro ou…rastejante.
Atiram frases longas com palavras que quase ninguém entende e fingem manter-se erectos quando a real posição é de quatro ou…rastejante.
.…mas são memórias de alegria, compartilhamento e confiança, que sentia nos adultos que me rodeavam.
Dos conhecidos e desconhecidos.
Foi um tempo em que todos pareciam ser conhecidos e, mais…. AMIGOS!
Lembro-me de andar nas ruas com meus pais, encavalitado no pescoço deles, pernas pendentes à frente, braços à volta do pescoço, condição para que me não pusessem no chão.
E lá do alto via tudo e todos tão bem…
Foi a festa que iluminou o país e os portugueses. O 25 de Abril de 1974.
Onde paira agora a leveza que sentia nos adultos, a alegria, a confiança…?… e até uma fraterna delicadeza…?
Coisas que na altura não sabia nomear ou classificar com estas pelavras, mas que se marcaram em mim, pelo sentir.
Outro dia, em consequência de uma conversa com amigos, ofereceram-me um livro que estou a ler.
Exactamente o que dá o título a este pequeno texto da autoria de James Redfield.
Não sei muito bem o que pensar, porque nisto de profecias sou um bocado como S. Tome: ver para crer e como até hoje nada vi….
Mas deixo-vos com um excerto:
«O nosso despertar espiritual representa a criação de uma mundivivência mais completa, que vem substituir quinhentos anos de preocupação com a sobrevivência secular e o conforto. Embora essa preocupação com o progresso tecnológico tenha sido um passo importante, o nosso despertar para as coincidências da vida está a abrir-nos para a finalidade da vida humana neste planeta e para a antureza real do nosso universo.(….)»
Se penso e creio que há um sentido na vida e que o devemos pensar e repensar no colectivo, planeta incluído, a leitura não é desagradável.
Acontece que, ao olhar ao meu redor, vejo e encontro muitas pessoas preocupadas com estas matérias e leituras, mas, na prática, o mundo está muito cão.
Ia dizer “MAIS” mas a nossa avaliação temporal é sempre excessivamente falível.
Diz tu de tua justiça.
Ao passar por aqui
Vi um repto lançado aos passantes:
« Desafio a quem por aqui passa , a escrever um conto ou um poema, com as seguintes palavras:
FORMAS, DEGRAUS, ÁGUA, ESPELHO, SEXO, MORTE, PELE, ECO, RETALHOS, AUDÁCIA, TELA, NEGRUME, CAFÉ, GESTOS, NORTE, VOZ, VIDA, PEDRA, SENTIDOS.
Enviar para:
Esta a minha resposta ao desafio :
Sentados nos degraus deixámos a água da chuva encharcar-nos.
No negrume da noite a água que escorria empoçava na pedra gasta da escadaria, semelhando tela, ou espelho, onde a vida se reflectia.
Tudo nela passava formas – corpos em movimento – seus gestos de proximidade e ternura, breves retalhos de expressões dos sentidos e quando, na água empoçada, uma vibração corria, sabíamos corresponder ao eco da inicial emoção na pele.
Resposta à voz amada, ao prazer do sexo, ao temor da vida ou da morte.
Os nossos corpos molhados aproximaram-se mais buscando o calor que deles fugia com a água que por eles escorria.
E eis que mais uma vez me surpreendes, da mochila tiraste pequeno termos e um gole de café quente aqueceu-nos até à alma.
Só nos faltava o derradeiro golpe de asa.
A audácia de seguir sempre o rumo buscando, da vida o sentido,o norte.
Sinto que ando perdido de mim.
Não estou triste.
Muito menos deprimido…
A vida corre normal.
Os altos e baixos são os costumeiros que em todas as vidas existem.
É um sentir mais profundo. Muito profundo.
Como se houvesse algo por cumprir.
Um objectivo maior que não descortino e logo, de mim, o ser faz andar perdido.
Vou continuar a procurar.
Ou, talvez seja melhor deixar de procurar.
Deixar o silêncio fazer-se em minha alma e assim a possa ouvir.
Que assim seja.
Comigo e convosco, em 2007.
Oxalá.
As praias.
Ando a Sul, na Costa Vicentina.
Inebrio-me com os odores: a salinidade; o perfume almiscarado e doce da vegetação das dunas….
Agora as praias estão desertas de banhistas. Mas tão cheias.
O som. Em primeiro lugar, o som.
O som do silêncio que de repente se enche com o bramido do mar….
ou com um grito, leve e feliz, que se solta da minha garganta, se ergue em vôo, e nele fica a pairar.
De manhãzinha, as gaivotas.
Bandos e bandos enchendo os areais.
Depois do voo da partida, as pegadas.
Claras e nítidas umas, sobrepostas outras….e, lá no alto, juntando-se ao meu, que por ali plana, ecoa o grito que lançam e projectam no mundo saudando o dia – talvez também em protesto contra o meu aparecimento.
Na areia as águas esculpem formas, deixam rastos.
Vou continuar a deambular por estas bandas e encher-me de paz e de azuis.
Até já. Vou ali falar com aquele pescador….
o nada, ou o tudo?
tanto faz!
pois num dado momento,
no exacto momento,
serão, sempre e só,
uma e a mesma coisa.
sendo ambos absolutos
TUDO! NADA!
Confluem
na unidade
e a unidade, como a palavra diz,
é una.
Logo, é indiferente se é tudo, ou…nada.
São a mesma coisa
vista de perspectivas,
momentos históricos ou humanos
diferentes.