Sentados nos degraus - resposta a um desafio
Ao passar por aqui
Vi um repto lançado aos passantes:
« Desafio a quem por aqui passa , a escrever um conto ou um poema, com as seguintes palavras:
FORMAS, DEGRAUS, ÁGUA, ESPELHO, SEXO, MORTE, PELE, ECO, RETALHOS, AUDÁCIA, TELA, NEGRUME, CAFÉ, GESTOS, NORTE, VOZ, VIDA, PEDRA, SENTIDOS.
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Esta a minha resposta ao desafio :
Sentados nos degraus deixámos a água da chuva encharcar-nos.
No negrume da noite a água que escorria empoçava na pedra gasta da escadaria, semelhando tela, ou espelho, onde a vida se reflectia.
Tudo nela passava formas – corpos em movimento – seus gestos de proximidade e ternura, breves retalhos de expressões dos sentidos e quando, na água empoçada, uma vibração corria, sabíamos corresponder ao eco da inicial emoção na pele.
Resposta à voz amada, ao prazer do sexo, ao temor da vida ou da morte.
Os nossos corpos molhados aproximaram-se mais buscando o calor que deles fugia com a água que por eles escorria.
E eis que mais uma vez me surpreendes, da mochila tiraste pequeno termos e um gole de café quente aqueceu-nos até à alma.
Só nos faltava o derradeiro golpe de asa.
A audácia de seguir sempre o rumo buscando, da vida o sentido,o norte.
