Monday, January 22, 2007

Sentados nos degraus - resposta a um desafio

Ao passar por aqui

Vi um repto lançado aos passantes:

« Desafio a quem por aqui passa , a escrever um conto ou um poema, com as seguintes palavras:
FORMAS, DEGRAUS, ÁGUA, ESPELHO, SEXO, MORTE, PELE, ECO, RETALHOS, AUDÁCIA, TELA, NEGRUME, CAFÉ, GESTOS, NORTE, VOZ, VIDA, PEDRA, SENTIDOS.
Enviar para:

tozribeiro@gmail.com»

Esta a minha resposta ao desafio :

Sentados nos degraus deixámos a água da chuva encharcar-nos.

No negrume da noite a água que escorria empoçava na pedra gasta da escadaria, semelhando tela, ou espelho, onde a vida se reflectia.

Tudo nela passava formas – corpos em movimento – seus gestos de proximidade e ternura, breves retalhos de expressões dos sentidos e quando, na água empoçada, uma vibração corria, sabíamos corresponder ao eco da inicial emoção na pele.

Resposta à voz amada, ao prazer do sexo, ao temor da vida ou da morte.

Os nossos corpos molhados aproximaram-se mais buscando o calor que deles fugia com a água que por eles escorria.

E eis que mais uma vez me surpreendes, da mochila tiraste pequeno termos e um gole de café quente aqueceu-nos até à alma.

Só nos faltava o derradeiro golpe de asa.

A audácia de seguir sempre o rumo buscando, da vida o sentido,o norte.


Posted by dark at 14:23:23
Comments

2 Responses to “Sentados nos degraus - resposta a um desafio”

  1. nadir says:

    gostei.
    beijos e boa semana

  2. bruxanegra says:

    As FORMAS,nos são reveladas pelos SENTIDOS parece tão certo e obvio como os DEGRAUS,ao longo do caminho d todo dia ,como ÁGUA,que corre em pensamentos de uma vida que resiste em solo arido.
    é em frente ao ESPELHO,que nos revelamos sem mentiras SEXO, MORTE,extremos pontos de nossa VIDA mas uma PEDRA no caminho nada mas do que mentiras.uma TELA que a gente mesmo pinta e escolhe um par um para almejar e outro para superar.enquanto diante do mesmo espelho nossa PELE, enrruga e apodrece ECO rouco de todos os corpos RETALHOS,fetidos de toda a ignorancia e AUDÁCIA,pintadas no NEGRUME de uma TELA, ao NORTE.quem nunca se perdeu em devaneios atire a primeira PEDRA quem ja se perdeu faça soar mas alto sua VOZ limpe os pulmões expulse seus demônios atraves de GESTOS, enquanto o tempo passa e o CAFÉ do seu próprio velório esfria.
    arremedo de versos fui curiosa e quis brincar tambem
    beijosnegros

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